Estava devendo este post, nada melhor que o dia que fazem 15 anos que Ayrton nos deixou para escrever ele. Não vamos aqui lembrar do 1o de maio, mas de um dia que me marcou muito mais: a invasão de pista em Interlagos 1993.
Tinha 12 anos e fui ver o GP, o terceiro que eu ia (e o terceiro em São Paulo depois da reforma do autódromo), e desta vez fui com meu pai, marinheiro de primeira viagem em F1. Parecia uma corrida normal aquele dia, na fila, nas arquibancadas, poucos acreditavam em uma vitória de Senna, com a superioridade de Prost. E engraçado, mas lembro bem que eu, com 12 anos e já tendo visto duas corridas em Interlagos e uma vitória de Ayrton, minha torcida maior era pro ídolo da Indy, Michael Andretti, estreando na F1. Pena que nem cheguei a ver, já que ele bateu na largada!
E tudo corria conforme o esperado quando uma chuva daquelas que só quem frequenta Interlagos conhece caiu. Aqui abaixo os melhores momentos da corrida:
E então, depois da vitória de Senna, momentos que só lembro de flash na minha cabeça: toda a arquibancada correu para a grade e começou a forçar para derrubá-la. Que diferença da Interlagos de hoje! Para terror de alguns e delírio de outros, ninguém se importou se tinha criança, mulher, idoso- virou tudo uma massa de gente. Ali só tinha um jeito: ou escalar a grade ou ficar ali e ser esmagado. Eu, pequeno como sempre fui e ágil aos doze anos, pulei a primeira grade fácil. Ali já me separei do meu pai.
Mas havia uma segunda grande em que a polícia descia o cacete em todo mundo. Era uma grade alta e você pode ver no fundo do vídeo abaixo a queda que era pular daquela altura! Até hoje não sei direito como eu passei dessa grade, acho que não tiveram coragem em bater em um moleque de 12 anos!
Bem, chegando a pista, era impossível qualquer contato com Senna. Era uma massa de gente em volta do carro, polícia, uma verdadeira confusão. Eu olhava tudo aquilo emocionado, me sentindo um pouco parte da história, preocupado com meu pai, irresponsável como sempre, mas feliz. Fiquei lá olhando tudo aquilo, o carro de resgate, Senna saindo… De repente me dei conta que estava do lado de uma Lotus, Johnny Herbert descia do meu lado! Eu corri e cumprimentei ele, e ele meio assustado saiu correndo (eu também correria…). Queria pedir sua luva, mas não tinha a mínima noção de inglês. Então Senna saiu com o Safety Car e a multidão correu atrás dele. Fomos até a reta dos boxes, mas mesmo correndo, só chegamos lá no fim do hino, e eu tive noção de como o autódromo é grande!
Depois, outra história- a saída do autódromo foi uma loucura. Tive que ir em um policial e falar que tinha me perdido do meu pai, aí me encaminharam para uma sala com mais um montão de gente perdida, estrangeiros, um caos. A polícia só falava para ninguém se desesperar, que iam organizar tudo, mas era impossível. Não tinha celular na época, e o jeito era esperar. Eu sabia que meu pai estava no setor G e eu no A. Depois de duas horas esperando, consegui entrar em uma viatura e pedi pro policial me levar no Shopping SP Market, perto do autódromo, onde o Tempra prata do meu pai estava estacionado. Lá estava ele, irritado, também emocionado e dizendo ao guarda que eu era irresponsável e nunca mais iria ao autódromo. Cheguei em casa e ouvi o mesmo sermão da minha mãe.
1994 eu estava lá de novo. Pra ver ele pela última vez na vida. Ayrton Senna.





8 Comments
Muito boa sua história, boas memórias
Ri com a parte do Johnny Hebert rsrsrsrsrsrrs
Todos devem ter ficado bem assustados mesmo hauhauh De repente o povo fica alucinado, invade a pista e sai correndo na frente dos carros :O
Ainda não imagino como você pulou o muro que é beeem alto rsrs
Pois é Pezzolo…
E apesar de todo o meu fanatismo pelo Senna eu jamais consegui assistir a uma corrida dele… Você foi a quatro!!! A inveja ferve nas veias!!! Parabéns…
Aquela corrida de 1993 eu assisti em casa, rodeado pela família, o que acho horrível, sempre tem alguém dando aquele palpite sem a maior noção…
Também foi palco de uma das maiores ultrapassagens da história da F1, Senna sobre Hill, passando pelo lado molhado da pista… Simplesmente fantástico…
Valeu e até…
Pezzolo pintando o Sete e o Oito. Quem dera vc ter pegado a luva de um desses destaques desse GP Brasil de 1993.
q bom q voltou o pod, falta o,clip!!!
Muito legal vc compartilhar conosco essas memórias e impressoes pessoais de quem esteve lá. Pra mim, que queria estar la mas não estive, da uma boa noção de como foi viver aquilo. Obrigado!
Amei o post, muito bom! Tb me lembro bem disso, nossa, acho que o pai quase teve um ataque nesse dia!!
A história do Johnny Hebert eu não sabia, achei bem engracada! Com certeza eu tb correria do povão…
Mas o nosso tempra era preto e vc escreveu prata… Fiquei pensando, como assim, não me lembro de tempra prata nenhum…
Jorge, vc tem que mostrar minhas fotos da Alemanha pra mãe… Acabei de falar com ela, queria tanto que ela visse!
beijos
boa!
Cara, narre isso em áudio e manda para nós da rádio. Muito legal esse texto.
abraço.